quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

Eu queria ter um milhão de amigos

Um dos motivos de ter escolhido Londres como ponto de partida para a nova vida foi a realidade de já contar com amigos por aqui. O ano que a Ju passou aqui, em 2009/2010, fez com que laços de amizade fossem criados e ela soube como mantê-los e ainda mais, passá-los para mim.
Recebemos algumas pessoas que moram por aqui em nossa casa no Rio e isso foi importante para perceber a realidade da cidade antes de vir.

Mas, além disso, ter conhecidos por aqui faz com que você se sinta acolhido na cidade. Afinal, seres humanos são seres sociais.

Nunca faltam convites para irmos em um ou outro lugar. As pessoas se sustentam em períodos difíceis e se regozijam juntas nos períodos de alegria e comemoração. Novos laços são criados ou reatados. E não posso deixar de agradecer a todos que passaram por nossas vidas por esses dias e a todos que sempre estiveram e sempre estarão com a gente, independente de distância.

O tal do National Insurance Number

Agora que o deslumbre passou e que me aproximo rapidamente do terceiro mês em terras reais gringas, a realidade bate na porta.

O inverno chegou e com eleas temperaturas um pouco abaixo de amenas. Chegou a menas (sic) 1 outro dia, e em viagem a Berlim, a menos 4. A sensação térmica depende de vários outros fatores, como vento e chuva. Claro que estes fatores estão sempre presentes em Londres. O casacãoé a primeira compra necessária para quem chega por aqui. Mas o frio não chega a incomodar como os 40 graus do Rio incomodam.

Outra coisa importante, assim que se chega, é conseguir seu número de segurança social, aqui chamado de National Insurance Number (abreviado para NINo). Óbvio que você só conseguirá tirar esse número se for um imigrante legal, da comunidade europeia. Até uns anos atrás, estudantes também podiam tirar, mas como as barreiras têm sido reforçadas por aqui, não sei se ainda é possível.

Para tirar o NINo, você primeiro liga para um número que o site do home office indica, para marcar sua entrevista. Nessa ligação, uma série de perguntas já são feitas: por que você está aqui, qual seu endereço oficial, seu nome completo, essas coisas...

Nada muito complicado, mas é bom você ser safo em inglês ou pode ficar sem entender o que está sendo perguntado. Com o appointment marcado, chega uma cartinha em sua casa, confirmando dia, hora e local da entrevista. O meu foi em um jobcentre e provavelmente todas as entrevistas são em um jobcentre. Cheguei na hora marcada, esperei um pouco (a sala estava lotaaaada de gente pedindo o tal número), fiz a entrevista, mostrei todos os documentos que pediram e me deram um prazo de até seis semanas para receber o número em casa, via correio.

Umas quatro semanas depois, a cartinha com o número chegou. Uma carta e um número. Só isso. Não perca em hipótese nenhuma esse número. Salve na nuvem, mande um email com ele para você mesmo, tire uma cópia da carta, faça o que for preciso, mas não perca esse número que é basicamente o seu CPF aqui.


Com ele, você pode arrumar emprego (antes não dá), pagar impostos e até pedir benefícios do governo, coisa que os imigrantes costumam fazer, mas que nem de longe é o meu objetivo por aqui. Mesmo porque pedir benefício é perder pontos no credit score. Mas isso já é assunto para outro post.

sábado, 1 de novembro de 2014

Dia 22 fez um mês que estamos aqui em Londres.
Lembrei da data ao caminhar e, no meio da rua, não tive como escrever nada para comemorar.
Mas a palavra seria mesmo comemorar?

Bom, óbvio que as mídias sociais só mostram motivos para felicidade. Mas na realidade, a vida é bem diferente. Existem problemas como em qualquer lugar e eles aparecem conforme você vai se acostumando com a cidade, o país, o clima...

É o metrô que está lento ou cheio. Ou as duas coisas.
É o tempo que está bom em um dia e horrível no outro.
É a barreira da língua (nem todo mundo fala inglês e tem inglês com sotaque estrangeiro que é impossível de entender).

Enfim, tirando todas as benesses, como nada de calor de 40º e pouquíssima violência, é uma vida normal. E longe de todos que você ama. É duro, é difícil, mas é assim.

Quem topa encarar, tem que estar ciente disso. E vir muito, mas muito bem preparado.

sexta-feira, 24 de outubro de 2014

Johnny Marr @ Brixton Academy - 23/10/2014

Antes de voltarmos para a parte séria dos escritos, preciso abrir um espaço para falar do evento de ontem, dia 23 de outubro.
Não foi muito pensado, mas assim que ouvi as primeiras duas músicas do disco novo do Johnny Marr (ex-Smiths) comprei no impulso os ingressos para o show. Eu ficaria feliz com apenas as músicas da recente carreira solo. Generate Generate, Boys Get Straight, Easy Money...






Mas aí fui olhar, como que por desencargo de consciência, o setlist dos últimos shows dele. E me surpreendi com a quantidade de músicas dos Smiths: seis! E, de gruja, uma do Electronic.
Só com essas sete músicas, ele derruba muita banda grande em festival.

Some o setlist com o fato do show ser na histórica Brixton Academy e temos um vencedor.
O show começou com Playland, do disco novo, deu espaço para as músicas dos Smiths, para comoção da plateia que, nesta hora, até pareceu sudamericana, e voltou para as da carreira solo dele. A voz do senhor Marr, se não é um Morrissey, não deixa nada a dever. Levou numa boas as músicas dos Smiths e as suas próprias, mostrando animação durante todo o show.

Para não tirar o meu da reta, fiquei arrepiado quando ele tocou a minha favorita dos Smiths ever:

Stop Me If You Think That You've Heard This One Before.




Até o Bis, o show voou. Como tinha dado aquela espiada legal na lista das músicas, sabia o que ainda viria pela frente. O fim apoteótico com Lust For Life do Iggy Pop e How Soon is Now. Uma das minhas maiores felicidades foi ter visto essa música ao vivo com Morrissey cantando. Mas como a vida é cheia de surpresas, Marr chama ao palco seu amigo Noel Gallagher. O mesmo cara que teve os ingressos esgotados em DEZ MINUTOS para o show em um lugar com 20 mil lugares. Ali, pertinho, numa casa de shows aconchegante e perfeita. Plateia delirante, três guitarras no palco, som nas alturas (ainda cristalino) e muita felicidade no ar. Um showzaço que terminou com a compra do LP autografado, para guardar para a posteridade.


sexta-feira, 10 de outubro de 2014

Por aí

Com o oyster na mão, começamos a desbravar a cidade.
O famoso andar por aí. 
Saímos do nosso quadradinho, Acton town, e fomos até Hammersmith.
Lá é como o centro de West London. A maioria das lojas tem uma filial em Hammersmith e, de lá, é possível pegar metrô e ônibus para outros tantos lugares da cidade.

Fomos por aí, andando pelas atrações turísticas, dando um alô para a cidade e nos preparando para ser mais um entre tantas pessoas diferentes. Por falar nisso, é até um pouco clichê, mas não se espante com a quantidade de muçulmanos e de mulheres de burca (já vimos algumas). A língua que menos se escuta é o inglês. Árabe, indiano, espanhol e sei lá mais quantas línguas são faladas por aqui.

Treinar o inglês, como vocês podem perceber, não é tarefa fácil. A TV vive ligada na BBC e a compreensão começa a ser bem mais limpa. Mas nada que um atendente de ascendência indiana não possa complicar. Alguns são impossíveis de entender. Ah, claro, e ainda não falei com ninguém do Norte da Inglaterra, conhecidos por seu idioma carregado de sotaque. Escoceses e Irlandeses não fazem parte dessa lista, já que contam como inglês avançado para profissionais.
E a experiência em Wembley?




Além de um sistema de transporte que te leva de casa até a porta do estádio (com várias opções de trajeto), lá dentro você é tratado como um cliente o tempo todo. Lugar marcado respeitado, 55 mil pessoas em perfeita harmonia. Um negócio interessante é que se alguém estiver tendo um "comportamento antissocial" é só mandar um SMS com os números do bloco, fileira e cadeira e logo vem alguém ver o que está acontecendo. E, escadas rolantes!!! Nada mais de sofrer subindo as rampas intermináveis do Maraca ou do Engenhão. hahahahah

As lojinhas do jogo (sim, loja para UM jogo, com souvenirs daquele jogo) são bem legais. E o programa do jogo (£6) foi comprado por muita gente. Como sempre, preço de comida e bebida (por ser jogo da UEFA,sem álcool) acima do de mercado. Atrações antes do jogo e no intervalo. Telão e sistema de som perfeitos, informativos e com replay das principais jogadas (e dos gols!). Fim de jogo? Caminhada tranquila para o metrô, que apesar das 55 mil pessoas, deu conta sem empurrões, sem vagões ultraentupidos e muito rápido (peguei o primeiro trem saindo da plataforma e nem de perto fui o primeiro a entrar na estação).

Rapidamente estava em casa. E quando você acha que a experiência acabou, no dia seguinte recebi um email da FA com uma pesquisa de pós-venda, perguntando praticamente tudo sobre o jogo e sobre o trajeto casa-wembley-casa. Respondi e entrei num sorteio para ganhar dois ingressos para o próximo jogo do English Team em casa.



Sobre o jogo






Com uns laterais muito mais ou menos e um meio campo nada criativo, a Inglaterra demorou até abrir o placar contra San Marino, o último colocado do Ranking da FIFA. Depois de fazer o primeiro, o time começa a dar toquinhos demais, tentando fazer sempre o mais difícil. Resultado final, cinco a zero. Mas poderiam ter sido dez,se tivessem descido do salto. Rooney foi um dos destaques do jogo, apesar do título de Homem do Jogo ter ido para Wilshere. E não entendo como podem tirar o Sterling de TODOS os jogos,quando ele é o jogador mais ensaboado do time em décadas.

Lá pela metade do segundo tempo, o jogo virou chacota. Cada vez que o goleiro inglês pegava na bola (umas 4 vezes em todo o jogo) a torcida ia ao delírio, aplaudia e gritava. Chegaram a cantar um Olé pra San Marino (quando eles acertaram mais de dois passes seguidos) e no fim, até torciam para eles conseguirem acertar um contra-ataque. Conforme iam saindo os gols, as pessoas iam se levantando e saindo do estádio. Tipo, matamos o jogo, vou embora agora. E eu sentado, torcendo por mais gols. Por falar em gol, como faz diferença ter uma palavra pra gritar quando se faz um gol. Seja Gol, Tor, Score, qualquer coisa. O que não dá é gritar yes, e aplaudir sentado. Cinquenta e cinco mil pessoas em Wembley cantando (baixinho, só um canto do estádio cantava de verdade) e até a torcida do Botafogo faz mais barulho em 3 mil, em Moça Bonita.


quinta-feira, 25 de setembro de 2014

oyster

Telefone ok, fuso em dia (ou quase), umas comprinhas feitas...

Estamos prontos para deixar Acton e nos aventurarmos em outros lugares de Londres. Para isso, fomos até a estação de metrô de Acton Town e compramos nosso Oyster.
Legal, mas o que é um Oyster?
Traduzindo para um português básico,o Oyster é um vale-transporte. Você apresenta ele ao entrar em uma estação de metrô, overground (trem metropolitano), ônibus e outros transportes. E na hora de sair da estação, apresenta outra vez.

Você pode comprar o oyster de duas formas: ou vai direto na máquina ou vai no caixa. Fomos direto na máquina e. óbvio, apanhamos. Você paga 5£ pelo cartão e pode escolher entre a carga diária, a semanal ou a mensal. Cada uma tem um valor, claro. e não é barato. Pagamos 36£ cada um, por uma carga semanal.

Outra coisa que confunde é poder comprar o Oyster ou o Oyster Bus+Trams. Na verdade, o bus+trams não inclui o metrô. Eu pensava justamente o contrario, que incluia além do Metrô Bus e Trams. Bom, na dúvida, vamos ao caixa. Lá nos explicaram isso aí de cima e, finalmente, pudemos entrar na nossa primeira viagem de metrô.

Fomos em direção a Islington. Saltamos em King´s Cross. caminhamos um pouco e chegamos na O2 Academy Islington. O local para shows tem uma capacidade de umas 800 pessoas, se tanto. Então imagine o quão perto é possível chegar do palco. O show começou (Fu Manchu) e a diferença é um tapa na cara. Som perfeito, alto e limpo. Uma experiência e tanto.