quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

Eu queria ter um milhão de amigos

Um dos motivos de ter escolhido Londres como ponto de partida para a nova vida foi a realidade de já contar com amigos por aqui. O ano que a Ju passou aqui, em 2009/2010, fez com que laços de amizade fossem criados e ela soube como mantê-los e ainda mais, passá-los para mim.
Recebemos algumas pessoas que moram por aqui em nossa casa no Rio e isso foi importante para perceber a realidade da cidade antes de vir.

Mas, além disso, ter conhecidos por aqui faz com que você se sinta acolhido na cidade. Afinal, seres humanos são seres sociais.

Nunca faltam convites para irmos em um ou outro lugar. As pessoas se sustentam em períodos difíceis e se regozijam juntas nos períodos de alegria e comemoração. Novos laços são criados ou reatados. E não posso deixar de agradecer a todos que passaram por nossas vidas por esses dias e a todos que sempre estiveram e sempre estarão com a gente, independente de distância.

O tal do National Insurance Number

Agora que o deslumbre passou e que me aproximo rapidamente do terceiro mês em terras reais gringas, a realidade bate na porta.

O inverno chegou e com eleas temperaturas um pouco abaixo de amenas. Chegou a menas (sic) 1 outro dia, e em viagem a Berlim, a menos 4. A sensação térmica depende de vários outros fatores, como vento e chuva. Claro que estes fatores estão sempre presentes em Londres. O casacãoé a primeira compra necessária para quem chega por aqui. Mas o frio não chega a incomodar como os 40 graus do Rio incomodam.

Outra coisa importante, assim que se chega, é conseguir seu número de segurança social, aqui chamado de National Insurance Number (abreviado para NINo). Óbvio que você só conseguirá tirar esse número se for um imigrante legal, da comunidade europeia. Até uns anos atrás, estudantes também podiam tirar, mas como as barreiras têm sido reforçadas por aqui, não sei se ainda é possível.

Para tirar o NINo, você primeiro liga para um número que o site do home office indica, para marcar sua entrevista. Nessa ligação, uma série de perguntas já são feitas: por que você está aqui, qual seu endereço oficial, seu nome completo, essas coisas...

Nada muito complicado, mas é bom você ser safo em inglês ou pode ficar sem entender o que está sendo perguntado. Com o appointment marcado, chega uma cartinha em sua casa, confirmando dia, hora e local da entrevista. O meu foi em um jobcentre e provavelmente todas as entrevistas são em um jobcentre. Cheguei na hora marcada, esperei um pouco (a sala estava lotaaaada de gente pedindo o tal número), fiz a entrevista, mostrei todos os documentos que pediram e me deram um prazo de até seis semanas para receber o número em casa, via correio.

Umas quatro semanas depois, a cartinha com o número chegou. Uma carta e um número. Só isso. Não perca em hipótese nenhuma esse número. Salve na nuvem, mande um email com ele para você mesmo, tire uma cópia da carta, faça o que for preciso, mas não perca esse número que é basicamente o seu CPF aqui.


Com ele, você pode arrumar emprego (antes não dá), pagar impostos e até pedir benefícios do governo, coisa que os imigrantes costumam fazer, mas que nem de longe é o meu objetivo por aqui. Mesmo porque pedir benefício é perder pontos no credit score. Mas isso já é assunto para outro post.

sábado, 1 de novembro de 2014

Dia 22 fez um mês que estamos aqui em Londres.
Lembrei da data ao caminhar e, no meio da rua, não tive como escrever nada para comemorar.
Mas a palavra seria mesmo comemorar?

Bom, óbvio que as mídias sociais só mostram motivos para felicidade. Mas na realidade, a vida é bem diferente. Existem problemas como em qualquer lugar e eles aparecem conforme você vai se acostumando com a cidade, o país, o clima...

É o metrô que está lento ou cheio. Ou as duas coisas.
É o tempo que está bom em um dia e horrível no outro.
É a barreira da língua (nem todo mundo fala inglês e tem inglês com sotaque estrangeiro que é impossível de entender).

Enfim, tirando todas as benesses, como nada de calor de 40º e pouquíssima violência, é uma vida normal. E longe de todos que você ama. É duro, é difícil, mas é assim.

Quem topa encarar, tem que estar ciente disso. E vir muito, mas muito bem preparado.

sexta-feira, 24 de outubro de 2014

Johnny Marr @ Brixton Academy - 23/10/2014

Antes de voltarmos para a parte séria dos escritos, preciso abrir um espaço para falar do evento de ontem, dia 23 de outubro.
Não foi muito pensado, mas assim que ouvi as primeiras duas músicas do disco novo do Johnny Marr (ex-Smiths) comprei no impulso os ingressos para o show. Eu ficaria feliz com apenas as músicas da recente carreira solo. Generate Generate, Boys Get Straight, Easy Money...






Mas aí fui olhar, como que por desencargo de consciência, o setlist dos últimos shows dele. E me surpreendi com a quantidade de músicas dos Smiths: seis! E, de gruja, uma do Electronic.
Só com essas sete músicas, ele derruba muita banda grande em festival.

Some o setlist com o fato do show ser na histórica Brixton Academy e temos um vencedor.
O show começou com Playland, do disco novo, deu espaço para as músicas dos Smiths, para comoção da plateia que, nesta hora, até pareceu sudamericana, e voltou para as da carreira solo dele. A voz do senhor Marr, se não é um Morrissey, não deixa nada a dever. Levou numa boas as músicas dos Smiths e as suas próprias, mostrando animação durante todo o show.

Para não tirar o meu da reta, fiquei arrepiado quando ele tocou a minha favorita dos Smiths ever:

Stop Me If You Think That You've Heard This One Before.




Até o Bis, o show voou. Como tinha dado aquela espiada legal na lista das músicas, sabia o que ainda viria pela frente. O fim apoteótico com Lust For Life do Iggy Pop e How Soon is Now. Uma das minhas maiores felicidades foi ter visto essa música ao vivo com Morrissey cantando. Mas como a vida é cheia de surpresas, Marr chama ao palco seu amigo Noel Gallagher. O mesmo cara que teve os ingressos esgotados em DEZ MINUTOS para o show em um lugar com 20 mil lugares. Ali, pertinho, numa casa de shows aconchegante e perfeita. Plateia delirante, três guitarras no palco, som nas alturas (ainda cristalino) e muita felicidade no ar. Um showzaço que terminou com a compra do LP autografado, para guardar para a posteridade.


sexta-feira, 10 de outubro de 2014

Por aí

Com o oyster na mão, começamos a desbravar a cidade.
O famoso andar por aí. 
Saímos do nosso quadradinho, Acton town, e fomos até Hammersmith.
Lá é como o centro de West London. A maioria das lojas tem uma filial em Hammersmith e, de lá, é possível pegar metrô e ônibus para outros tantos lugares da cidade.

Fomos por aí, andando pelas atrações turísticas, dando um alô para a cidade e nos preparando para ser mais um entre tantas pessoas diferentes. Por falar nisso, é até um pouco clichê, mas não se espante com a quantidade de muçulmanos e de mulheres de burca (já vimos algumas). A língua que menos se escuta é o inglês. Árabe, indiano, espanhol e sei lá mais quantas línguas são faladas por aqui.

Treinar o inglês, como vocês podem perceber, não é tarefa fácil. A TV vive ligada na BBC e a compreensão começa a ser bem mais limpa. Mas nada que um atendente de ascendência indiana não possa complicar. Alguns são impossíveis de entender. Ah, claro, e ainda não falei com ninguém do Norte da Inglaterra, conhecidos por seu idioma carregado de sotaque. Escoceses e Irlandeses não fazem parte dessa lista, já que contam como inglês avançado para profissionais.
E a experiência em Wembley?




Além de um sistema de transporte que te leva de casa até a porta do estádio (com várias opções de trajeto), lá dentro você é tratado como um cliente o tempo todo. Lugar marcado respeitado, 55 mil pessoas em perfeita harmonia. Um negócio interessante é que se alguém estiver tendo um "comportamento antissocial" é só mandar um SMS com os números do bloco, fileira e cadeira e logo vem alguém ver o que está acontecendo. E, escadas rolantes!!! Nada mais de sofrer subindo as rampas intermináveis do Maraca ou do Engenhão. hahahahah

As lojinhas do jogo (sim, loja para UM jogo, com souvenirs daquele jogo) são bem legais. E o programa do jogo (£6) foi comprado por muita gente. Como sempre, preço de comida e bebida (por ser jogo da UEFA,sem álcool) acima do de mercado. Atrações antes do jogo e no intervalo. Telão e sistema de som perfeitos, informativos e com replay das principais jogadas (e dos gols!). Fim de jogo? Caminhada tranquila para o metrô, que apesar das 55 mil pessoas, deu conta sem empurrões, sem vagões ultraentupidos e muito rápido (peguei o primeiro trem saindo da plataforma e nem de perto fui o primeiro a entrar na estação).

Rapidamente estava em casa. E quando você acha que a experiência acabou, no dia seguinte recebi um email da FA com uma pesquisa de pós-venda, perguntando praticamente tudo sobre o jogo e sobre o trajeto casa-wembley-casa. Respondi e entrei num sorteio para ganhar dois ingressos para o próximo jogo do English Team em casa.



Sobre o jogo






Com uns laterais muito mais ou menos e um meio campo nada criativo, a Inglaterra demorou até abrir o placar contra San Marino, o último colocado do Ranking da FIFA. Depois de fazer o primeiro, o time começa a dar toquinhos demais, tentando fazer sempre o mais difícil. Resultado final, cinco a zero. Mas poderiam ter sido dez,se tivessem descido do salto. Rooney foi um dos destaques do jogo, apesar do título de Homem do Jogo ter ido para Wilshere. E não entendo como podem tirar o Sterling de TODOS os jogos,quando ele é o jogador mais ensaboado do time em décadas.

Lá pela metade do segundo tempo, o jogo virou chacota. Cada vez que o goleiro inglês pegava na bola (umas 4 vezes em todo o jogo) a torcida ia ao delírio, aplaudia e gritava. Chegaram a cantar um Olé pra San Marino (quando eles acertaram mais de dois passes seguidos) e no fim, até torciam para eles conseguirem acertar um contra-ataque. Conforme iam saindo os gols, as pessoas iam se levantando e saindo do estádio. Tipo, matamos o jogo, vou embora agora. E eu sentado, torcendo por mais gols. Por falar em gol, como faz diferença ter uma palavra pra gritar quando se faz um gol. Seja Gol, Tor, Score, qualquer coisa. O que não dá é gritar yes, e aplaudir sentado. Cinquenta e cinco mil pessoas em Wembley cantando (baixinho, só um canto do estádio cantava de verdade) e até a torcida do Botafogo faz mais barulho em 3 mil, em Moça Bonita.


quinta-feira, 25 de setembro de 2014

oyster

Telefone ok, fuso em dia (ou quase), umas comprinhas feitas...

Estamos prontos para deixar Acton e nos aventurarmos em outros lugares de Londres. Para isso, fomos até a estação de metrô de Acton Town e compramos nosso Oyster.
Legal, mas o que é um Oyster?
Traduzindo para um português básico,o Oyster é um vale-transporte. Você apresenta ele ao entrar em uma estação de metrô, overground (trem metropolitano), ônibus e outros transportes. E na hora de sair da estação, apresenta outra vez.

Você pode comprar o oyster de duas formas: ou vai direto na máquina ou vai no caixa. Fomos direto na máquina e. óbvio, apanhamos. Você paga 5£ pelo cartão e pode escolher entre a carga diária, a semanal ou a mensal. Cada uma tem um valor, claro. e não é barato. Pagamos 36£ cada um, por uma carga semanal.

Outra coisa que confunde é poder comprar o Oyster ou o Oyster Bus+Trams. Na verdade, o bus+trams não inclui o metrô. Eu pensava justamente o contrario, que incluia além do Metrô Bus e Trams. Bom, na dúvida, vamos ao caixa. Lá nos explicaram isso aí de cima e, finalmente, pudemos entrar na nossa primeira viagem de metrô.

Fomos em direção a Islington. Saltamos em King´s Cross. caminhamos um pouco e chegamos na O2 Academy Islington. O local para shows tem uma capacidade de umas 800 pessoas, se tanto. Então imagine o quão perto é possível chegar do palco. O show começou (Fu Manchu) e a diferença é um tapa na cara. Som perfeito, alto e limpo. Uma experiência e tanto. 

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

New life

Chegamos, dormimos e acordamos meio-dia.
O suficiente para descansarmos da loooonga viagem.
Uma fuçada rápida no Gmaps e vamos para a rua. Há um mercado bem perto, o Morrisons, e é para lá que vamos.
Tudo é novo. As marcas, os produtos, os preços. Principalmente os preços. Um meal menu, com um sanduiche natural, uma bebida e uma sobremesa custa 2.5 libras. 
Dez reais. 
E pensar que paguei 16 reais por uma FATIA de pizza no aeroporto de guarulhos...

Compramos as coisas de necessidade básica que precisávamos: desodorante, pasta de dente, uns cremes pra Ju e umas tranqueiras, como Dr. Pepper, um refrigerante com gosto de sabão que eu amo.

Saindo de lá, fomos atrás de um telefone. Na verdade, atrás de um chip para por nos telefones. O pré-pago aqui é chamado pay as you go. As tarifas também são bem caras, como no Brasil. Mas pesquisando, dá para achar um plano mensal (sim, plano de pré-pago) de15 libras com 300 minutos, 3000sms e internet ilimitada. Conseguimos isso com um da 3(three). A Three é uma operadora daqui, assim como Vodafone, t-mobile, O2, lebara...

O chip (chamado SIM Card) não custa nada, mas você precisa carregar com créditos o telefone, o que aqui é chamado de top up. Um top up de 10 libras te dá direito a um certo número de ligações, sms e internet. O de 15, dá direito a mais e um de 20 te dá ainda mais vantagem.

E pagando 33 libras por mês, em um plano normal, você leva pra casa um S5.

Vale a pena pesquisar antes de comprar seu chip.




terça-feira, 23 de setembro de 2014

Chegamos. E agora?

Depois de onze horas de voo, mais a espera no aeroporto e o voo rio-sp (o que nos traz a quase 24 horas de viagem, contando o fuso), chegamos.

A passagem pelo Controle de fronteira foi bem tranquila. Passaporte europeu e sua esposa, com visto de família, passaram direto pela fila de estrangeiros e não pegaram fila nenhuma para fazer os trâmites de entrada. O difícil foi carregar três carrinhos de mala, sendo só duas pessoas. Na hora de passar na alfândega o pessoal olhou aqueles dois malucos carregando 10 malas de qualquer jeito e só perguntaram o de sempre: se tinha ligar pra ficar, o endereço e se tinhamos fumo, comida, sementes... Essas coisas que só quem quer problema traz.

Nosso shuttle estava esperando na saída da sala de desembarque. Foi um pouco difícil encaixar as malas todas no carro, mas, acreditem, deu. Viemos para a casa onde alugamos um quarto (por 6 dias, via Airbnb). Fomos recebidos pelo Frederick, muito simpático, que nos mostrou o quarto, a casa e o estoque d comida que fez para a gente. Foi o máximo que deu para fazer. Tomamos banho, e apagamos na cama. Eram umas sete e meia da noite, não mais. Às duas da manhã acordei. Fiz hora, virei de um lado pro outro e nada. Às cinco e meia, dei mais uma dormidinha. E acordei meio-dia.
:/
Isso é jet lag ou o quê?

A verdade é que estamos aqui a quase 24 horas e ainda estamos nos recuperando da viagem.
Mas precisamos ir descobrir a vida, a cidade (estamos no bairro de Acton), e resolver umas pendências normais, como celulares, conta em banco, adaptadores de tomadas...
Conforme formos descobrindo as coisas, escrevo aqui.
 

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

10, 9, 8, 7, 6, 5, 4...

E aí que falta uma semana e eu ia escrever.
Passou, falta 5 dias, vou escrever...
Faltam 4 dias e o terror é iminente.

Com a quantidade de malas que vamos levar,
precisamos repensar nossa logística, tanto em terras brasilis,
quanto em terras rainhis. Daqui saímos para o aeroporto no domingo,
umas três e pouco da tarde. Vamos nos dividir em dois táxis, muito melhor do que ter que
gastar com aluguel de van (conseguimos, a mais barata, por 195 reais).

Lá, ao chegar, teremos uma van nos esperando.
A logística dos primeiros dias também teve que ser alterada.
Por conta da quantidade de malas que levaremos, é mais econômico (e economia é a palavra primordial nestes primeiros momentos) ficarmos mais perto do nosso destino final.

Então, acertamos um quarto no airbnb que saiu exatamente o mesmo valor que a van para nos levar e buscar ao outro lado da cidade, que era onde ficaríamos primeiramente. Deste quarto, saímos dia 28, levando nossas malas em algumas viagens, para o 512 Chiswick HR.

Está perto, muito perto.


sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Dez dias

Ontem, na verdade, marcou o fim da contagem regressiva em dezenas.
No entanto, o dia foi tão corrido, que ficou difícil escrever alguma coisa.

Fizemos a nossa segunda mudança, em menos de 15 dias.
Saímos da casa da nossa grande amiga Dani (palavras não seriam suficientes para expressar nossa gratidão) e fomos para o ponto de partida da viagem. Mais precisamente, a casa da minha avó.
;)

É de lá que levaremos as malas para o aeroporto.



sexta-feira, 5 de setembro de 2014

Enquanto não chega a hora de embarcar, trabalho. Em casa, fazendo meus frilas, e na repartição.
Faltam poucos dias para deixar o trabalho, uma semana, não mais.
Então, fico meio parado, meio correndo, passando o que dá para passar para os outros, resolvendo o que tenho que resolver antes de sair. Bom, de qualquer forma, tenho um tempo para continuar viajando mentalmente.

Uma dica que dou para quem resolveu mudar é: compre a passagem o mais perto possível. A espera é angustiante e o dia parece não chegar nunca.

Bom, voltando às minhas viagens virtuais, resolvi correr atrás de pubs em ou perto de Chiswick. E não é que o que encontrei foi BEM melhor do que esperava?

crown and anchor

the city barge

old pack horse


Além dos pubs mais normais, digamos assim, a localidade conta com alguns históricos como o Old Pack Horse e o Crown and Anchor. 

Ainda estou fazendo um levantamento mais minucioso, inclusive com umas microcervejarias pelos arredores. Mais uns dias, começo a postar as fotos dos locais e a avaliação de cada um deles. hahahaha




O gato

Elvis apareceu nas nossas vidas dia 25 de Janeiro. Ainda não era Elvis.
Ele só foi batizado assim, uns 5 minutos mais tarde. A casa estava cheia, meio bagunçada.
O coitado não sabia onde estava e se deitou em um canto, com a maior feição de desalento.
Sete meses depois (mas para nós foi como se tivessem passados vários anos) levamos o Elvis para a casa da vovó. É lá que ele vai ficar até que possamos levá-lo para Londres com a gente.

Se você tem um gato e também quer levá-lo com você para a Inglaterra, é melhor ler isto.

Viajar com um animal de estimação é difícil. Para a Inglaterra, é dificílimo.
São tantas as coisas que eles pedem que o mais fácil parece ser abrir mão do bichinho. Mas pense bem: se você morasse em uma ilha, onde uma série de doenças foram erradicadas e não entram de forma normal em seu país, por que abrir mão dessa segurança deixando qualquer animal (podendo estar infectado) entrar?

Para levarmos o nosso, começamos pela vacina de raiva. Sim, ela precisa estar em dia. E mais, é preciso ter tomada a, pelo menos, 90 dias. É necessário um exame de sorologia que custa umas 800 pratas para provar que ele está em dia com a vacina/não infectado. Acha que acabou por aí?

Bobinho você, não?

Como em toda a Europa, animal precisa estar chipado. Isso mesmo, pode providenciar o chip do seu animal o quanto antes. Aí, nas vésperas da viagem, você precisa de um laudo do veterinário que por sua vez é levado no ministério da agricultura e lá você recebe um documento liberando o animal para a viagem. Mas parece que esse documento só tem validade de uns três dias. O_o

Com tudo isso pronto, é só viajar.
.
.
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calma... quem disse que acabou?

Para entrar no Reino Unido, o Home Office disponibiliza uma lista de Companhias de Aviação e em quais Aeroportos e Terminais elas podem pousar levando animal. Para ser rápido e rasteiro, na Inglaterra, indo do Brasil, animal só pode chegar pelo Aeroporto de Heathrow e desde que seja pela British Airways. É bom olhar com cuidado a lista e ver por onde entrar, antes de comprar sua passagem.

Pelo menos, a quarentena do animal acabou. O que diminui muito o sofrimento de donos e bichinhos.
Uma boa opção é tentar entrar por Portugal, e de lá seguir para a Inglaterra. Mas mesmo assim, Portugal ainda tem uma série de pedidos para liberar a entrada do animal.

Elvis vai se juntar a nós, logo, logo.


Países pequenos

Na Europa, a minha maior tentação é viajar.
Moramos em um continente chamado Brasil e, ainda assim, tivemos a chance de conhecer algumas cidades de diferentes regiões. A viagem mais longa que fiz, antes até de casar, somou 6400 quilômetros no odômetro. Já parou para pensar em quantos países dá para visitar rodando esses mesmos 6 mil km na Europa?

Pois eu parei. Pensei. E pelo preço de uma viagem Rio-Recife, resolvi revisitar Paris.

Parece até tiração de onda, mas não é. Juro.
Acontece que na Europa, as empresas lowcost são realmente lowcost.
É só entrar no Skyscanner e pesquisar. Se bem que, para a França, saindo da Inglaterra, preferi comprar um ticket terrestre, pela Eurostar. Terrestre e submarino, claro.

Se eu tenho alguma dica para dar? Bom, pesquise, pesquise e pesquise.

As próximas paradas são em Dublin e Berlin. Amigas lindas e queridas que precisam de nossa presença ao seu lado para serem um pouquinho mais felizes.
hahahahaha

sábado, 30 de agosto de 2014

Fechando o AP

Uma das coisas mais difíceis de se mudar para outro país é ter que fechar o apartamento/casa em que você mora. Principalmente porque, diferente de uma mudança em que você tira de um lugar para levar para outro, indo para fora, você precisa se DESFAZER de tudo que entulhou nos últimos tempos.

É meio desesperador ter que limpar tudo sem ter outro lugar para deixar as coisas. Sem brincadeira, fica até aquela esperança de ser assaltado e levarem tudo do apartamento. A dica que dou é começar a vender/doar as coisas com pelo menos dois meses de antecedência. Pode parecer muito, mas é muito mais fácil se desfazer das coisas aos poucos.

Nós tivemos a sorte de poder contar com a casa da minha sogra/mãe, que abriu as portas para guardar uma infinidade de caixas. E, claro, nosso gatinho, o Elvis.

Hoje, finalmente, tiramos as últimas caixas. Já fizemos a pintura da entrega e agora só falta a vistoria final e a entrega das chaves. A contagem não para e já faltam apenas 21 dias.




***

Uma das coisas que mais melancolia me traz é entregar um apartamento. Fico olhando indefinidamente para os cantos da casa e pelas janelas. Revejo os móveis, as histórias e os momentos que vivemos ali. É quase como se quisesse, pelo olhar ininterrupto, gravar mais fundo na memória tudo o que senti. Em alguns meses, tudo irá virar uma massa de lembranças, sem dias específicos ou datas marcadas. Só sei que vou olhar para trás e, como sempre, sentir saudades.

quinta-feira, 28 de agosto de 2014

Um lugar para chamar de seu

A exatamente uma semana atrás, ia fazer um post sobre a contagem regressiva e como ela havia (assustadoramente) chegado a um mês. A uma semana atrás. Hoje, faltam 23 dias. Um mês redondinho é, para quem espera desde o dia 189, um marco. Ou era, já que foi deixado para trás em meio a correria que nossas vidas se tornaram. Aquela foto do apartamento, ali em baixo, é uma espécie de paraíso perto do que o Antonio Basilio 26/203 se tornou.

Agora restam algumas caixas, uma mesa na sala, dois pintores resolvendo as manchas que nossa presença aqui imprimiram nas paredes, algumas lembranças e muitas saudades. Em mais três dias, entregamos as chaves, com o apartamento vazio como quando o encontramos pela primeira vez.

Mas deixemos de pesar e vamos para a parte boa.

A exatamente uma semana, resolvemos onde ficaríamos nos primeiros meses de Londres. Todos dizem ser uma temeridade fechar antes de conhecer o local e ver a vizinhança, dizem ser loucura enviar dinheiro sem saber para quem está enviando, dizem um monte de coisas que, no fim das contas, passamos por cima.

Tivemos a sorte grande de uma amiga estar voltando para Londres e ter passado pela mesma situação que a gente, em busca de um teto quentinho para chamar de seu. Ela conseguiu alugar um quarto, em um apartamento de três, na região Oeste (West London). A sorte, mesmo, vem agora. Um quarto estava prestes a vagar e ela nos deu a dica. Disse que a vizinhança é muito agradável, perto de tudo (metrô, ônibus, mercados...), que o proprietário(landlord) era muito gente fina e que daria para a gente dar uma chorada no preço e pedir até mais móveis para o quarto. Foi o que fizemos (e fomos atendidos).

Então, nos jogando de cabeça, pagamos o aluguel do primeiro (de três) mês adiantado e reservamos o nosso quartinho de casal. Agora temos endereço e post code W45RG.

O bairro é Chiswick. Ou seria Chiswick uma cidade? Ainda não dá pra entender bem as denominações dos locais de lá. Menos mal que na Wikipedia tá falando bem do lugar.

O que me resta agora é antecipar a viagem, na minha cabeça, e passear pela vizinhança no Google Maps e no Street View. Descobrir os locais bonitos que dá para conhecer a pé e ver como fazer para chegar em outros tantos. Apesar de tudo, estamos felizes e animados.

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

Uma das primeiras coisas que pensei, quando finalmente fechamos a data da ida, foi a quantidade de shows que poderia assistir estando em Londres. Mas como acessar a agenda local, para saber o que a cidade poderia me oferecer?

Fiz uma busca e descobri dois aplicativos/sites que me ajudaram muito a gastar bastantes libras antes mesmo de colocar meu pé na terra da rainha. O primeiro, que acabou se tornando meu preferido, é o songkick.
De fácil navegação, você diz a sua cidade e uma lista de shows aparece. Além disso, dá para "assinar" as suas bandas preferidas, o que faz você receber um email avisando quando eles irão tocar em sua cidade, assim que o concerto é marcado.

O segundo aplicativo é o bandsintown. No fim, acho ele até mais completo do que o songkick, mas como me acostumei com o outro antes, dou uma olhada de vez em quando, só para confirmar os shows.

Voltando aos shows, como disse ali em cima, já temos um calendário de eventos bem recheado. É tanta coisa para ver que até ficou difícil arrumar data para ir visitar os amigos espalhados pela Europa. Clássicos (dos anos 90) como Slowdive - uma das bandas da vida -, Helmet, Cast...
Jesus and Mary Chain, Buzzcocks e Sham 69, da parte feminina (e punk) do casal.
O Metal do Mastodon, o stoner do Fu Manchu, o rock do Kaiser Chiefs e do Interpol, as novidades do War on Drugs e do Eagulls...

E, como disse, ainda nem fizemos o check-in. É muita felicidade junta.


J&MC tocando o Psychocandy



Slowdive  - sem palavras.



Helmet tocando o Betty.




E na contagem, faltam 40 dias.



sábado, 9 de agosto de 2014

Hoje é sábado.
Dia 09 de agosto.
Dia marcado para que alguns móveis fossem levados.
Desde às seis da manhã de pé.
Elvis, the cat, dormiu entre a gente e quis comer logo cedo.
Sobra sempre para mim, mas não reclamo.
Vou sentir falta do meu despertador peludo por um tempo.

Novidades com relação à data da partida.
Dona TAM resolveu antecipar o voo em duas horas.
Com isso, abriu a oportunidade de cancelarmos a passagem, anteciparmos em uma semana ou postergarmos por mais 14 dias. Resolvemos que, como os dias andam demorando muito para passar, vamos uma semana antes. Dia 21 de setembro.

A contagem regressiva foi devidamente rasurada e, de uma pancada só, estamos a exatos 42 dias de nossa partida.

a sala e um gato perdido.


Quem te viu e quem te vê, não é mesmo?




sexta-feira, 25 de julho de 2014

E lá vamos nós...

Pouco mais de sessenta dias para iniciarmos uma nova etapa.
Desde que compramos nossas passagens para Londres, faz alguns meses, o tempo parece que parou.
Anda cada vez mais devagar, dia após dia. A mudança vai acontecendo aos poucos, primeiro em nossas cabeças e, depois, nas nossas vidas. A rotina é que mata.

Então, para passar o tempo, resolvemos fazer um blog.
Sobre Londres, sobre a gente e sobre a viagem (seus preparativos, seus desafios e todas as novidades).

A primeira grande etapa é a entrega do apartamento que alugamos, desde 2011. Fechar as portas e nos livrar de todo o peso. Afinal, we travel light. Ficam livros, revistas, copos, dvds, toalhas, cama-mesa-e-banho, móveis, tvs...

O apartamento que montamos, desmontamos.

É necessário. Uma etapa a mais na vida.
Uma em inglês.


Nos vemos, lemos e ouvimos por aqui.

Aquele abraço.




This is what moving looks like: chaos.